Bastidores Programa da Sabrina – Episódio 1: O que só a gente viu

Muitas pessoas me perguntaram, nas últimas semanas, sobre a passagem da Sabrina Sato aqui pelo Marrocos. O que ela veio fazer, como fomos parar no meio dessa história, como ela é de verdade, quando começariam os programas especiais dela aqui etc. Agora que os programas já começaram a passar no Brasil, e eu finalmente consegui assistir ao episódio que foi ao ar no dia 18/06 – aqui passa uma semana depois e todos os vídeos oficiais da Rede Record são bloqueados para assistirmos pela internet, mesmo com VPN -, vou contar para vocês os bastidores de tudo.

Hadi e eu entramos nessa barca louca do Programa da Sabrina graças a Mangaba Produções. Eles são especialistas em fazer coisas incríveis. Essa é a melhor definição para eles. Produzem campanhas, fotos, filmes e eventos. São demais! Felipe e Renato, nos procuraram, primeiramente, para mostrar a nossa vida aqui no Marrocos, como os brasileiros vivem aqui, porém, como somos jornalista e publicitário e temos uma empresa de turismo, acabamos assumindo, com eles, toda a produção desta semana em que passaram aqui. Batemos todas as pautas, cuidamos das traduções para o francês, logística, sugestões de pautas, locações, liberações etc. Foi uma correria louca mas deliciosa. E o resultado vocês já estão vendo no  Brasil. Ontem passou o segundo episódio, onde o Hadi mostra para ela as montanhas Atlas e o povo berbere. E o primeiro episódio foi Sabrina e Rodrigo Capella mostrando a Medina. Sábado que vem serei eu e ela, na Medina, falando sobre compras e sobre a vida aqui no Marrocos. E ainda teremos mais dois episódios: um sobre gastronomia/comida de rua e sobre a participação dela no Marrakech Du Rire, o maior festival de comédia/stand up comedy, do país, do superstar franco/marroquino Jamel Debbouze.

Acho que o que mais me perguntaram foi se ela era legal e simpática mesmo. Então, sabe tudo o que ela aparenta ser pela TV, nas entrevistas, nos programas etc? Ela é mais que isso. Muito mais simpática, mais generosa, mais talentosa, mais competente. Não estou puxando o saco, não. Poderia ficar quieta, sem falar nada, mas ela é realmente tudo isso, sim. Nos surpreendemos com tanta coisa bacana que ela nos mostrou ser no dia a dia. E tudo o que ela mostrou no programa dizendo que ia comprar ela comprou mesmo! Não era cena, não. Além disso, encontramos muitos brasileiros que pediam fotos com ela e os próprios marroquinos foram a reconhecendo, porque aqui passa o programa dela – além de darem um Google no nome dela quando a viam passando -, e ela atendeu a todos com muita gentileza, em qualquer horário do dia.

Além disso, em todas as gravações, nada é combinado. Obviamente que pensamos em tudo antes, mostramos algumas locações, mas nada do que foi dito ou do que aconteceu foi combinado. Tudo acontece naturalmente.

Então, vamos ao primeiro episódio: Sabrina e Capella na Medina.

https://www.youtube.com/watch?v=w4aOv5l7ndQ (você pode assistir aqui!)

Saímos para essa pauta com algumas ideias, mas sem nada super resolvido. Começamos a gravar na Praça Jamaa El Fna, com os macacos. Nós, brasileiros, que temos leis ambientais e de proteção dos animais tão presentes no nosso dia a dia, não gostamos desse tipo de “entretenimento”. Tanto é que os circos não têm mais animais e os zoológicos muitas vezes são tão condenados. Mas aqui isso é cultural, tínhamos que mostrar. Sabrina realmente não queria ficar perto do macaco. Já Capella arriscou segurar o bicho e tentar alguma interação. E enquanto gravávamos com a macaca que estava mais arrumadinha, um outro homem que faz shows com seu macaco na praça apareceu no meio da gravação e já foi colocando o bicho no Capella. Foi juntando gente ao redor até que surgiram uns brasileiros. Eles não foram convidados a entrar na matéria, eles estavam lá na hora e foram entrando mesmo… J

Sabrina quebrou um prato de uma menina desse grupo de brasileiros e pagou para ela o preço que ela havia gasto no prato, e pela cara que a menina faz na hora, acho que ela ficou meio assustada. Mas gente… Sabrina é famosa por quebrar as coisas! Se não quer que quebre, melhor não deixar na mão dela! Rs

Partimos para a Praça dos Escravos ou Mercado dos Escravos. Uma praça a céu aberto, sem aquelas coberturas típicas da Medina, onde vários vendedores ficam sentados no meio da calçada com seus artesanatos, e onde encontramos aquela farmácia berbere. Nessas farmácias, todos os remédios são naturais, vindo de plantas, assim como era há centenas de anos. E eis que lá dentro, Sabrina resolve assoprar um pó no Capella. Era coentro em pó! Ardeu bastante os olhos dele e ficamos muito tempo ajudando ele a lavar o rosto. Eu, que sofro horrores com o tempo seco aqui e uso lentes de contato, tinha soro fisiológico na bolsa, além de um colírio maravilhoso em gel. Ficamos uns 10 minutos lavando os olhos dele, mas mal conseguíamos fazer muita coisa porque estavam todos rindo muito. (Sorry, Capella!!)

Os cristais que ela cheirou na água quente são muito fortes mesmo!! Tanto que cada grama dele custa 10MAD, 1 euro, mas é caro perto do restante das ervas e plantas. É tão caro quanto o açafrão vermelho, aquele da paella, sabe? Considerado o ouro da cozinha. Mas o mais legal as câmeras não mostraram: depois de gravar e de escolher o que ela iria comprar veio a negociação. Os donos da farmácia não queriam baixar mais o preço para ela. Deram um preço, ela disse que pagaria menos, deram um desconto que não chegou no preço dela e aí conseguimos encerrar tudo negociando um desconto que ela concordasse e uma foto deles dois com ela, para colocarem no mural da farmácia.

Andando mais um pouco, encontramos um homem vendendo os lagartos do deserto. Mais uma prática comum aqui no Marrocos, mas que no Brasil dá cadeia: tráfico e venda de animais. Ele começou querendo vender os bichos e acabou sendo uma fonte sobre a vida aqui, entre os casais. Contou que tem duas mulheres e falou um pouco sobre como vivem os homens com mais de uma esposa. Antigamente, isso era normal. Atualmente, isso não é tão normal assim. Os muçulmanos do Marrocos são um pouco mais modernos do que pensam mundo afora e essa prática caiu em desuso. E o homem só pode ter mais de uma esposa se a primeira esposa autorizar. Ou seja, se ele tem duas mulheres foi porque a primeira autorizou.

E nessa hora, ela também fala que teve de dar uma caixinha para ele por ele ter sido gravado. Isso é outra prática MUITO comum aqui. Andávamos com dinheiro de caixinha o tempo inteiro, para pagar quem aparecia no vídeo. Até quem não foi “convidado” a aparecer mas apareceu, como o homem com o segundo macaco da Praça Jamaa El Fna, que simplesmente surgiu e colocou seu macaco no Capella, quis caixinha. E eles insistem. E eles vão atrás e pedem dinheiro, sim.

Esse é um dos problemas que acontecem quando pessoas que não conhecem o Marrocos vem para cá gravar programas, fotografar campanhas etc. Eles acabam sofrendo com esse tipo de problema. Temos que saber lidar com essas pessoas, pagando um valor justo pela aparição deles e, principalmente, falando a língua deles e os entendendo!

Outra questão muito comum durante todo tipo de gravações aqui: há muita polícia à paisana, homens “normais” em suas motinhos, andando pra lá e pra cá, vendo se tudo está em ordem e, principalmente, pedindo para ver as autorizações de gravação. Quando Sabrina Sato e sua trupe apareceram por aqui, batemos todas as autorizações que eles tinham além de buscar outras, para necessidades que surgiram de última hora. Por exemplo: não é porque você tem autorização para gravar nas ruas de Marrakech que você pode gravar dentro de museus ou monumentos. Para isso, há autorizações específicas que corremos para buscar enquanto íamos pensando em tudo.

Voltando ao episódio, já no fim das gravações, uma mulher que faz tatuagem de henna no Mercado dos Escravos, elogiou a roupa da Sabrina enquanto ela passava. Diante desse comentário, ela parou para falar com essa moça e daí já surgiu mais uma pauta, que foi mostrar como a mulher vive aqui. Inclusive, na Praça Jamaa El Fna, algumas turistas brasileiras “criticaram” o modo como a mulher aqui é vista. É uma visão parcial de um todo, que certamente elas não tiveram tempo de conhecer. Não é em uma viagem de turismo que vamos conhecer as raízes da sociedade, certo? O que a mulher da tatuagem disse foi sobre os costumes de se vestir e os costumes berberes. O que acontece é que na montanha a vida é muito diferente do que nas ruas das cidades. Há muitos berberes vivendo em Marrakech e em outras cidades grandes e aí acabam se adaptado à vida do local. Nas montanhas, as berberes mesmo, podem mostrar o cabelo, não usam lenço. Já sobre as roupas longas, isso é um costume tão enraizado que parece não haver outra opção, entende? Não só aqui, mas como em todos os países muçulmanos. O traje das mulheres é esse e ponto. Assim como há os trajes masculinos, que também são kaftans longos. Assim como os irlandeses usam saias. É uma tradição normal, natural. E dentro de casa, elas se vestem como querem. Burca, kaftans, vestidos, calças… Mas o interessante dessa entrevista com ela foi a abertura que ela deu para tudo isso, para ser gravada, para falar sobre a vida da mulher. Ela teve uma identificação com a Sabrina, ou uma curiosidade em compartilhar com elas essas coisas, que renderam uma entrevista bem diferente.

E para encerrar, depois das gravações encerrarem, depois do nosso jantar, fomos em uma loja tipo um antiquário, de acessórios, onde Sabrina se apaixonou por várias peças e na hora de negociar protagonizou com o dono da loja um show a parte! Fica aqui só a foto final da negociação, com os dois felizes da vida com o negócio feito!

 

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