Os elos que não se desfazem

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Amizade é um bicho estranho, não é mesmo? Eu super acho! Tenho amigos de todos os tipos: amigos que eu nunca vi, mas por alguma razão começamos uma amizade via rede social e mesmo sem jamais ter visto a pessoa pessoalmente, eu gosto dela, torço por ela, curto as coisas bacanas da vida dela que ela posta. Tenho amigos desde a primeira infância e que me acompanham até hoje. Tenho ainda as melhores amigas da escola como as melhores amigas dos dias atuais. Tenho amigos que são a família que escolhi. Tenho melhores amigas que conheci há pouco mais de 2 anos, mas que parece que conheço desde que nascemos. Tenho amigos que não vejo há muitos anos, mas nada muda entre nós. Tenho amigos que a amizade transformaram minha vida, ou a forma com que eu vejo algumas coisas. Tenho amigos que fiz na corrida e que hoje são como minha família. E tenho os familiares que são os amigos que não escolhi, mas que são as pessoas mais próximas a mim, que mais sabem de mim.

E eu adoro fazer amigos. Percebi isso quando fui pensar na minha despedida do Brasil. Concluí que ou faria uma nova festa de casamento, para 200 pessoas, ou faria várias despedidas. Optei pela segunda situação e armei “apenas” 9 despedidas. Foi com a turma do trabalho, com a turma do ex-trabalho, com as amigas de infância, com minhas primas, com minha família por parte de mãe e de pai, com os amigos da corrida… e assim comi e bebi exacerbadamente por um mês, comemorando a vida e a possibilidade de ter tanta gente bacana ao meu lado. E morro de saudades de todos! Falo com eles o dia inteiro por WhatsApp, sinto “ciúme” dos encontros que não estou, quero saber tudo… Quero me sentir próxima, mesmo do outro lado do oceano. Quero poder ajudar quando eles precisam. Quero poder conversar quando algo acontece. Quero saber as novidades boas e ruins para não sair de perto dos que podem precisar da minha amizade. Quero poder continuar a fazer tudo por eles.

Porém, percebi que os amigos têm maneiras diferentes de tratar as amizades. E foi muito intenso porque tive essa percepção de uma vez só, conforme fui encontrando ou não com meus amigos. E também conforme me afastei devido a mudança. De alguns eu ouvi: “Não vamos nos ver outro dia? É só hoje mesmo? Não quero me despedir!” E de outros eu ouvi praticamente Leandro e Leonardo cantando “Não aprendi dizer adeus…”. Mais especificamente, dos ausentes, dos que não foram se despedir por dizer que não conseguem se despedir daqueles que amam. Ao mesmo tempo que a distância me mostrou que muitos que eu achava que não ligavam muito para nossa amizade, na verdade, ligam, sentem falta, mandam mensagens o tempo inteiro, procuram saber de tudo.

Enfim, cada um com seu jeito, não é? Impossível julgar o outro quando você mesmo pode estar sob julgamento alheio. Cada um é exatamente como deve ser. E eu fui surpreendida por mais uma amizade incrível aqui no Marrocos. Outro dia, pedalando nas montanhas, meu marido conheceu um francês que se chama Albin, e mora em Marrakech com sua noiva, Alix. Ele trabalha na área financeira de um grande hotel que faz parte de uma cadeia mundial, e ela faz freelas na área de moda. Um dia, eles nos convidaram para tomar uns drinks em um rooftop aqui de Marrakech e eu finalmente fui conhecer Alix, de quem sempre ouvia falar. Ouve uma empatia grande entre nós duas, ela fala muito bem inglês, então ficou mais fácil nossa comunicação. Foi então que enquanto ela, Albin e meu marido conversavam em francês, eu pensei alto e disse “como eu queria que minha professora de francês fosse francesa! Queria ouvir mais esse francês limpo”.

Passaram-se uns dias e em um outro jantar, Alix me propôs um encontro semanal, de 1h, aproximadamente, para conversarmos somente em francês, sobre como foi nosso dia, coisas cotidianas, e assim eu aceleraria o processo de lembrar de tudo que aprendi e esqueci de francês. Perguntei a ela o motivo da proposta, meio descrente, e ela me disse que era para me ajudar, somente. Sem nada em troca, a não ser a companhia e a oportunidade de nos encontrarmos uma vez por semana.

Não é incrível? Mais incrível ainda foi ser recebida por ela em sua casa, no fim de tarde, com café, chá e biscoitos de amêndoa e caramelo especiais de sua cidade na França, com livros e revistas em francês para eu levar para casa e ainda, depois de ir embora da casa dela, receber um link com E-Books que ela considera de fácil leitura para eu baixar. Agora, temos dia e hora para nos encontrar todas as semanas e assim dar continuidade ao aprendizado, que acredito ser mútuo.

E Alix me fez pensar na pureza de um ato feito pelo simples fato de querer. A base de uma amizade, na minha opinião. Fazer sem esperar nada em troca. Perdoar mesmo discordando. Saber ouvir “não aprendi dizer adeus” e responder “mas eu te amo mesmo assim”. A amizade é irmã siamesa fraternidade. E por isso, não há distância no mundo que separe uma amizade verdadeira, e não há qualquer diferença social ou cultural que impeça uma amizade sincera de acontecer.

 

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