Aluga-se Esfiha na Jamaa El Fna

esfiha

O #mundocão chegou à Praça Jamaa El Fna, a verdadeira V1D4L0K4 do Marrocos. O post sobre a praça ainda está por vir. Quero gravar vídeos de tudo o que acontece lá para mostrar a realidade daquela maluquice, que eu adoro, diga-se de passagem. São charretes para levar os turistas para passear, encantador de cobra, dentista arrancando dentes no meio da rua, macacos com roupas presos em correntes para as pessoas fotografarem – tenho pânico disso! Minha vontade é sair soltando todos os macacos de uma vez -, carrinhos de suco de laranja e grapefruit enormes, enfim. Mas para filmar ou fazer foto tem que pagar. Sempre! Tudo é um comércio.

A praça é há centenas e centenas de anos um ponto de comércio fundamental para a cidade, pois entorno dela está a medina e suas milhares de lojinhas. Antigamente, e hoje ainda podemos ver essa cena, os comerciantes aterrissavam na Jamaa El Fna com suas mercadorias, abriam as malas e vendiam tudo. Ou seja, a cultura lá é de que tudo pode ser vendido. De repente, podem oferecer algum valor por alguma coisa que você esteja carregando.

E essa semana passamos por isso duas vezes. Na medina, estávamos andando com squeezes de bike na mão, aquelas garrafinhas que colocamos água e levamos presas às bicicletas, porque tínhamos acabado de pedalar e um vendedor ofereceu qualquer coisa da loja dele pelas garrafinhas. “Pode pegar o que quiser da minha loja e façamos a troca”. Negamos, mas no dia seguinte levamos outras garrafinhas de presente para ele, mesmo sem pegar nada em troca.

E uns dias depois aconteceu a coisa mais fofa. A minha aula de francês é bem na praça Jamaa El Fna, e na hora de ir embora, meu marido foi me buscar com o Esfiha, nosso boxer da espécie Tiranossauro Rex, conforme já contei. Ele ficou assustado com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e assim que saímos da porta da escola, umas seis crianças nos rodearam para ver o cachorro que eles nunca tinham visto daquele tamanho. Um menininho cutucou meu marido e perguntou: “Quanto?”. Ele não entendeu e perguntou do que ele estava falando. Aquela criança de, no máximo, 7 anos, continuo “Por quanto você está vendendo o cachorro? Quero comprar!”. Falamos que não estávamos vendendo o cachorro e ele pediu para dar um beijo no Esfiha, então. Sentamos o Esfiha, para ele se acalmar, e pedimos que o menininho se aproximasse, fizesse carinho e desse um beijo na cabeça dele, mas o Esfiha não deixava o menino chegar perto e já pulava para brincar. Depois de algumas tentativas, ele conseguiu e saiu aplaudido pela coragem pelos amiguinhos dele ❤ .

Na hora de ir embora, passamos pela praça do Minarete da Mesquita da Koutubia que estava lotada de adultos e crianças brincando, mas todos saíram correndo quando o Esfiha passou. Foi hilário! As pessoas não estão acostumadas a ver cachorros aqui. São poucos marroquinos que têm cachorro em casa. Em compensação, a quantidade de gatos nas casas e nas ruas é absurda! Então, quando veem um cachorro desse tamanho, se assustam.

E daí já surgiu a ideia de que se nada der certo nós vamos abrir uma barraquinha para tirar fotos com o Esfiha por 10 dirhams, na Jamaa El Fna. Afinal, ali tudo é comércio!

2 comentários Adicione o seu

  1. asmanz disse:

    Eu morro de rir.. fico imaginando todas as cenas que vc descreve Lilian!! Super beijo!

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  2. Hedy disse:

    Eu fico imaginando a sua sua cara e reações na hora destes acontecimentos, aí não paro de rir

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