Chafia e Esfiha: BFFs

(Chafia não sorri para fotos, gente. Ela prefere uma duckface. Já Esfiha, sempre sexy sem ser vulgar)

Chafia é nossa assistente do lar. Diz ser toda prendada na cozinha, mas ainda experimentamos pouco dos seus quitutes. O que já conhecemos bem é seu jeito de ser, digamos, peculiar. Ao menos para nós, brasileiros, acostumados a levar e fazer as coisas de outro jeito. Ela chegou em casa por recomendação do administrador do condomímio e Hadi, meu marido, ficou dois meses aqui no Marrocos sozinho antes de eu vir, mas já com Chafia em casa, se comunicando do jeito que dá porque ela só fala árabe, porém um árabe cheio de regionalismos e um pouco enrolado, vamos assim dizer. O que ela não esperava é que eu chegaria com uma bagagem extra, nosso amado Esfiha, um boxer da subespécie Tiranossauro Rex. Pesando apenas 47kg, ele chegou chegando no Marrocos. Parou aeroporto, posto de combustível e, inclusive, Chafia, que morre de medo de cachorro.

No primeiro dia do Esfiha aqui no Marrocos, Chafia chegou em casa de burca e lenço preto na cabeça. Ele nunca tinha visto aquelas roupas, aquela coisa na cabeça, o que fez com que ele estranhasse muito aquela pessoa entrando em casa e o fim vocês podem imaginar: ele tentou avançar nela. Eu nunca tinha visto ele fazer isso com ninguém porque é super dócil. Enfim, Chafia correu e se escondeu atrás de mim e eu acabei tomando parte da coça que ele queria dar nela… Antes de ir embora, no fim do dia, ela apareceu sem burca e sem lenço para dar tchau, rindo e quase chorando ao mesmo tempo, quebrando todos os tabus da religião e dos costumes.

E assim ocorreu sucessivamente durante os primeiros dias, mesmo com Chafia dando peito de peru (a comida preferida dele) para ele comer. Todos os dias, quando ela chegava em casa de burca, ele queria avançar. Agora, ela se troca na casa vizinha, onde sua irmã Rachida trabalha, e só abre o portão com o uniforme bege e o lenço marrom na cabeça, tadinha.

Ela é, definitivamente, um capítulo a parte nessa história louca do Marrocos. Cada dia a gente chora de rir com algo novo dela. Principalmente com as falhas na comunicação. É bem complicado falar com ela. Nos nossos primeiros 15 dias aqui, minha mãe, que é Síria, veio junto e traduzia tudo o que queríamos para o árabe, explicando como fazer as coisas da casa etc, mas quase que nem minha mãe entendia o que ela falava de tão enrolada que é a pronúncia. Acabamos nos entendendo por uma compreensão universal, digamos. Eu capto algumas palavras em árabe, entendo o contexto e voilá, temos uma comunicação. Mímicas também são bem-vindas! Sorte a minha ter brincado de mímica por 20 anos com as minhas amigas! Já estou expert em falar com a Chafia! Ela ainda só não entende quando eu digo para ela fazer carinho no Esfiha e acaba tirando o lenço da cabeça, confusa com os sinais. Um dia a gente chega lá!

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